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quinta-feira, 25 de março de 2010

Itan Olhos e Cabeça

Esse Itan é muito interessante, e compartilharei com vocês hoje. Depois, claro farei uma pequena análise como de costume.




Certo dia, Olorum encheu uma cabaça com carne de carneiro e embrulhou num belo pano de seda. Em uma segunda cabaça, Olorum colocou ouro, prata e pedras preciosas embrulhando em panos comuns e de aparência desgastada.



Logo depois, o grande criador de todas as coisas, chamou seus filhos Olhos e Cabeça, para que cada um escolhesse uma cabaça para si.

Olhos, se deparando com a beleza e ostentação do pano de seda, foi correndo escolher a primeira cabaça, deixando a segunda para seu irmão.

Desembrulhando a cabaça, Olhos se deparou com a apetitosa carne de carneiro. Logo chamou alguns amigos e se deliciou com a guloseima.

Ao desembrulhar a cabaça que restou, Cabeça perguntou decepcionado: “O que vou fazer com essas coisas que não posso comer? Mas como foi meu amado Pai que me concedeu, guardarei com extremo carinho!

Passando alguns dias, Cabeça foi apreciar o que o Pai tinha concedido a ele, nessa hora foi que percebeu o quanto era valioso o presente que recebera. Concluindo o quanto a sua cabaça era mais valiosa do que a do seu irmão Olhos.



Logo, Olorum chamou seus filhos à sua presença novamente e lhes perguntou o que encontraram em suas cabaças.

Olhos foi logo respondendo que encontrara um bom pedaço de uma carne muito saborosa, que consumiu em segundos.

Então Cabeça tomou a palavra e disse que encontrara tudo o que representava a riqueza no mundo e agradeceu profundamente a Olorum.

Assim Olorum sentenciou: “Olhos, a tua visão te atrapalha! Tu enxergas sem ver! És enganado pelo seu próprio dom. Cabeça, tu consegues escolher o melhor mesmo o que aparenta não ser. Tendo assim a capacidade de ver aquilo que Olhos não consegue. Portanto, a partir de hoje, Cabeça tomará todas as decisões, pois não se engana com as aparências.”





A análise desse Itan é muito simples, sendo muito fácil notar que se trata da importância que o raciocínio, o equilíbrio e o discernimento possui sobre a impulsividade, o desejo e a ostentação.

O Itan fala de equilíbrio, para que em nossos caminhos não escolhermos aquilo que queremos por impulsividade ou por ostentação e sim analisarmos muito bem a situação e escolhermos o que é melhor para nós. Também cita que aquilo escolhido por impulsividade tem um aproveitamento extremamente passageiro, se extinguindo muito rápido. Já a escolha pelo discernimento traz um aproveitamento duradouro.

E muito fácil de notar que fala sobre o domínio da cabeça, porque é a cabeça que decide e não os olhos. Ori(cabeça) é o que temos de mais importante.

quinta-feira, 4 de fevereiro de 2010

Resumo do Itan de Xango e Oxalufon – A Justiça!

Como sempre vou primeiro contar o Itan e depois fazer uma análise rápida.



Oxalufon queria visitar seu grande amigo Xango, foi então até Orunmilá e consultou o oráculo, consultou Ifá. As determinações de Ifá não foram muito boas, revelando a Orunmilá que a viagem de Oxalufon seria trágica. Orunmilá aconselhou que o Grande Orixá não realizasse a empreitada.

Porém Oxalufon não queria desistir, pois a teimosia é uma característica desse Orixá, então pediu ao Babalawo que consultasse Ifá a fim de que surgissem determinações do que fazer para que a viagem não fosse trágica como foi avisado. Então Orunmilá revelou que durante a viagem em hipótese alguma Ele deveria reclamar ou brigar e discutir com qualquer pessoa, não poderia reclamar de nenhuma situação, com a conseqüência de que perderia a vida. Ainda recomendou que levasse 3 trocas de roupas.

Assim partiu Oxalufon em sua empreitada a fim de visitar o reino de Xango. Em determinado momento encontrou um menino, que tentava levantar uma bacia com azeite de oliva até sua cabeça mas não conseguia. Nosso Orixá observando a dificuldade do menino se propôs a ajudá-lo, foi quando virou todo o conteúdo da bacia sobre sua roupa. Lembrando do conselho de Orunmila, mesmo muito irritado, Oxalufon não reclamou do acontecido. Como levava três trocas de roupas, foi se trocar e entregar como ebó a roupa manchada.

Continuando seu caminho encontrou mais duas vezes a mesma situação que passara, caindo sobre si azeite de dendê e depois carvão, porém em nenhuma das vezes reclamou ou brigou. O menino que causara a situação desagradável não era nada menos que Exu, que como sempre maquinava situações para perturbar a mesmice. Vendo que Oxalufon não reclamou em momento algum, perdeu a graça e desistiu de perturbar o Orixá do Branco.

Em fim chegou pelas terras de Xango, quando caminhava pode avistar o cavalo que outrora havia dado a seu amigo. Supondo que o animal havia fugido tratou de dominá-lo para levá-lo de volta ao Rei Xango. Enquanto cavalgava em direção ao reino pode ser avistado pelos guardas que estavam justamente procurando o cavalo. Quanto foi a surpresa de Oxalufon quando pode perceber que os guardas confundiram-no com um ladrão. Nosso querido Orixá foi espancado e preso nas terras de Xango. Isso sem que fizesse uma só reclamação, temendo sua própria vida devido à determinação de Ifá.



Xango nunca soube do acontecido, porém seu reino foi abatido por uma grande fome e doença, dizimando seu povo. Então Xango foi consultar Orunmila, foi consultar Ifá. Assim foi revelado que seu reino cometera uma grande injustiça a alguém muito importante que ainda se encontrava preso. Xango foi até o lugar onde Oxalufon estava, quando reconheceu seu grande amigo em estado deplorável. Então o Grande Rei determinou que Oxalufon fosse libertado. Que preparassem um banho e trouxessem roupas brancas como o algodão.

Então Xango carregou Oxalufon em suas próprias costas e determinou que todo o povo do reino deveria reverenciar o Grande Orixá do Branco. Assim foi desfeita a injustiça e a fome e a doença deixaram o reino.



Análise do Itan:



Esse itan traz características do Orixá Oxalufon, como o equilíbrio de lidar com situações muito complicadas sem causar qualquer confronto prejudicial. Isso é mostrado ao contar que esse Orixá não poderia reclamar dos acontecimentos. Conta-se também a característica de Oxalufon em relação à teimosia.

Também como na maioria dos Itans que se referem à Ifá, revela a necessidade de seguir as determinações do Oráculo.

Ainda podemos notar a explicação da regência de Xango sobre a Justiça, como Ele carrega o peso da injustiça em suas costas fazendo com que nunca mais a cometa.

Esse Itan ainda pode explicar um dos Rituais realizados em casas de Candomblé. As Águas de Oxalá. Um ritual em que todos os adeptos da casa levam água até Oxalufon e essa festa conta essencialmente com a presença do Orixá Xango, entre outros.



Xeueu Baba!!!

Obá Kaô Kabiecile



Um Grande Axé!!!!

terça-feira, 1 de dezembro de 2009

Resumo do Itan de Oyá – Iansã - A ligação com Xangô.

Existem várias formas de contar um mesmo Itan mas não importa a maneira de descrevê-lo e sim o fundamento que está intrínseco no mesmo.

Existia uma organização entre as grandes Iyabas concedendo-lhes grandes poderes, o que era extremamente perigoso para os Orixás Masculinos. Então Xangô, orientado por Orunmilá, foi causar desavenças entre as Iyabas, conquistando-as.




Oyá vivia com Ogum, era a grande responsável pelo grande fogo que o Orixá usava para a forja das armas e ferramentas, pois o vento “alimenta” o fogo.

Xangô chegou ao Reino de Ogum, quando avistou Iansã e percebeu que sua missão não seria ruim devido à tamanha beleza da Orixá.




Oyá tinha um problema, não conseguia engravidar e Orunmilá expôs o problema a Xangô e o orientou que só engravidaria se fosse violentada. Assim quando Oyá saiu do palácio direcionada a um lugar ao ar livre, Xangô a seguiu e lá a tomou a força. Iansã nesse momento se apaixonou pelo Orixá devido às suas virtudes já conhecidas. Diante do ato só tinha um animal, um carneiro que viu tudo o que acontecera.

Iansã conhecendo a personalidade de Ogum sabia que não podia voltar para o palácio e ainda se apaixonara por Xangô. Então a única escolha era fugir com seu Amado.






Ogum não sabia o que havia acontecido, procurando Iansã em todas as partes já estava em fúria, então encontrou o carneiro e esse lhe contou tudo o que presenciara. Ogum aclamado em fúria abateu o animal.

Então Iansã se tornou mulher de Xangô e do Reino de seu Amado ainda sopra o vento que viaja até o Reino de Ogum para alimentar o fogo para a forja. E ainda teve nove filhos, aqui explicarei em outra oportunidade.





Análises:



Para começar o Itan explica uma rivalidade entre Xangô e Ogum e o fundamento é o cuidado em lidar com esses Orixás em conjunto. Isso porque a essência de um atrapalha o outro e ao invés de atingir o que almeja pode ter problemas.



O amor louco que surgiu em Iansã por Xangô está fundamentado no fogo onde o fogo não vive sem o vento e o vento ganha poder no fogo. Portanto Xangô e Iansã juntos podemos presenciar uma força enorme e só é possível a plenitude na essência desses dois Orixás se estiverem juntos. Isso outro Itan conta que Olorum determinou a Xangô e Iansã que um dependeria do outro, mas esse vou contar em outra ocasião. Aqui muito relacionado aos raios.



Outro fundamento que conta no Itan é a não aceitação de carneiro por Iansã, isso é mostrado em outro Itan também, pois nesse caso foi o carneiro que contou a Ogum o que havia acontecido.



Mesmo depois de tal acontecimento e da fúria de Ogum, ele continua dependendo de Iansã para dar conta de suas forjas. Isso significa que mesmo contando esse Itan, Ogum ainda tem uma relação com Iansã podendo ser trabalhados juntos. Principalmente sobre o combate às demandas.



Fico por aqui. Vocês podem continuar observando o Itan e tirar suas próprias conclusões. Nada deve ser imposto e sim compreendido.



Axé!!!

segunda-feira, 16 de novembro de 2009

Itan da Criação do Mundo





Hoje farei um RESUMO e uma análise sobre um Itan da Criação, mas propriamente dito de Obatalá.



No início só existia o Orun ( referencia de paraíso/céu ). Nosso Deus supremo chama-se Olorun ou Olodumaré. No Orun existiam diversos Orixás, chamados de Orixás funfun, um deles era Obatalá, filho mais velho de Olorun. Obatalá tinha uma irmã chamada Oduduwa.

No Orun o que reinava era a ociosidade, não tinha muito o que fazer então os Orixás estavam acostumados com uma vida bem tranqüila. Olorun então decidiu criar a Terra, encarregou seu filho Obatalá de realizar essa determinação. Então Olorun deixou sob a responsabilidade de seu filho o Saco da Existência.

Como de costume a todos os Orixás, para garantir a prosperidade sobre qualquer coisa deve-se consultar e cumprir as determinações do Oráculo chamado de Ifá, que só o Orixá Orunmilá conhecia seus segredos, foi o que Obatalá fez.

Em determinação, Ifá exigiu que o Grande Orixá fizesse sacrifícios a Exu, para que pudesse ser prospero em sua jornada.

O Orixá negou-se a realizar as determinações do Oráculo, como Ele, o Grande Obatalá, deveria fazer sacrifícios a Exu? Julgando ser completamente absurdo levando em consideração sua posição e seu grande poder, prosseguiu em sua jornada ignorando o Oráculo.



Obatalá


Obatalá juntou tudo o que precisava e junto com os demais Orixás partiu em busca do Nada, onde só existia o vazio e onde Olorun determinara que fosse o local da criação do mundo. O problema é que para poder chegar ao Nada era necessário atravessar um grande deserto, algo que seria muito complicado para Orixás que viviam na ociosidade.

Oduduwa, por sua vez, solicitou a presença de Exu e contou-lhe a negligência de Obatalá com o Oráculo. Exu, malandro com sempre foi, já foi tramando algo para que o Orixá funfun não pudesse realizar sua tão importante missão.

No deserto escaldante os Orixás foram abandonando a jornada um por um, não suportando as provações da jornada e até que Obatalá se viu com somente alguns seguidores. Mesmo não suportando as dificuldades, nosso querido Orixá se negava a desistir. Nesse momento com muita sede, avistou uma grande Palmeira, então correu até a planta julgando que encontraria água. O que Obatalá não sabia é que foi Exu que fez surgir essa Palmeira, para Exu estar ali era muito fácil, pois tem o poder de estar em qualquer lugar que desejar.

Nosso Orixá do Branco, com muita sede e sem encontrar água, cravou seu cajado na Palmeira, assim escorreu a seiva da planta que o saciou abundantemente. Porém essa seiva tem um grande teor alcoólico, algo que outrora foi proibido por seu Pai de consumir, e Obatalá já bêbado adormeceu. Os poucos Orixás que ainda o seguiam tentaram acordar o líder mas foi em vão, assim regressando ao Orun.



EXÚ


Após o regresso dos outros Orixás e vendo que Obatalá estava sozinho, Exu tomou para si o Saco da Existência e partiu para o Orun. Chegando lá, contou tudo para Olorun que determinou que Oduduwa fosse a próxima responsável pela criação do mundo. Olorun sabia de tudo, do que acontecera ao primogênito e a trama de Oduduwa contra o irmão, porém tudo fazia parte dos planos de Olorun.

Obatalá acordou e viu que o Saco havia sumido e não tinha como continuar em sua missão, retornando também. Com extrema vergonha, o Orixá Funfun chegou à presença de seu Pai, após a conversa Obatalá se surpreende quando seu Pai designa outra missão a Ele, a Missão de Criar os Seres Humanos. Dessa vez Obatalá foi perfeito, realizou a consulta a Ifá e cumpriu suas determinações e ainda contava com a experiência do erro, que o tornou o Orixá mais apto a nos criar.




Oduduwa

Oduduwa por sua vez foi até Orunmilá e consultou Ifá. Após determinações de Ifá, Oduduwa não negligenciou o Oráculo e teve êxito em sua missão.






Levando em consideração esse Itan, podemos retirar vários fundamentos e ensinamentos. Começamos com a proibição de Obatalá em consumir bebidas fermentadas, nessa lenda explica o fundamento de não oferecer essas bebida quando fizer entregas a Oxalá. Muitos são específicos e falam que não podemos oferecer o Vinho de Palma, eu particularmente acredito que não podemos utilizar qualquer que seja a bebida fermentada, porque não condiz com a essência desse Orixá.

Outra coisa que podemos observar é o poder e a importância de Exu. Mesmo O grande Orixá Obatalá precisava ofertar algo a Exu para que pudesse ter prosperidade em sua missão. Isso significa que tudo o que vamos fazer precisamos da intervenção de Exu para prover a prosperidade. Essa intervenção se da porque Exu afasta toda a negatividade que possa existir. Ainda podemos citar o poder Infinito de Exu e o dom de poder entrar e estar em qualquer lugar.

Já com relação aos ensinamentos, podemos tirar algo muito importante que é o que aconteceu com Obatalá. Nosso querido Orixá precisou errar em uma missão importante para que em outra missão mais importante ainda, pudesse ser perfeito. Algumas vezes falhamos em situações importantes mas serve de aprendizado para coisas ainda mais importantes que precisaremos realizar e que está em nossos destinos. Lembrem-se Obatalá não se tornou menos importante ou de menor valor porque falhou, Ele se tornou muito mais importante porque criou o ser humano com perfeição e não seria possível se tivesse realizado sua primeira missão.

Tirem bastante proveito com essas Lendas, porque a semelhança com nossas vidas não é coincidência.



Axé!